Por Marina Lins
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“A moça estava surtada, veio para a faculdade decidida a dar”. Com essas palavras João Pedro Cardoso Cunha, assessor de imprensa da Universidade Bandeirante (Uniban), descreveu a atitude de Geisy Arruda no dia em que foi hostilizada por usar um vestido muito curto para a aula. A aluna, ao contrário, se vê como vítima da situação, “Já vi muita gente de short curto, só aconteceu comigo porque sou loira e gordinha”.
Cunha afirmou que a universidade entrevistou inspetores, professores e alunos, e todos confirmaram: Geisy agiu de maneira provocante. “O problema não foi tanto o tamanho da roupa, mas a atitude dela desfilando pela faculdade e puxando a saia para cima”, disse. Assessor da Uniban há 10 anos, Cunha minimizou a reação dos alunos. “Se estivesse lá, também entraria na brincadeira. Esse tipo de coisa acontece em todo o lugar.”
Aluno do curso de direito da Uniban, Rodrigo Pinto classificou Geisy como ninfomaníaca, alegando que a moça precisa de um tratamento psiquiátrico. “É maluquinha, está sempre querendo aparecer.” Ele afirmou não ter participado da ofensiva contra a aluna, mas admitiu ter estado perto do ocorrido. O futuro advogado concordou que foi apenas uma brincadeira e ponderou: “Se ela fosse gostosa de verdade, ninguém tinha reclamado”.
O assessor também acusou Geisy de ter armado toda a situação para se promover. “De loira burra ela não tem nada”, disse. Rodrigo Pinto concorda e afirma que não foi a primeira vez que a aluna agiu desse jeito. “Ela está se fazendo de santinha, mas não é de hoje.”
Geisy não viu a situação como uma brincadeira, pretende processar a universidade e todos que defenderam a sua posição. “São uns bárbaros, daqui a pouco teremos que ir de véu para a faculdade.” A aluna classificou como preconceituosa a atitude da Uniban. “Não sou puta, mas, se fosse, não poderia estudar lá?”
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Geisy disse ser uma patricinha e sempre ter usado esse tipo de roupa, que é o mesmo vestido pela mãe. “Se fosse magra, seria a Barbie.” Sua família a apoiou durante o episódio, assim como grande parte dos brasileiros. “Recebo mais apoio do que crítica.” A aluna disse ter ficado muito feliz com a manifestação de estudantes da Universidade de Brasília (UNB) que saíram pelados em protesto à sua expulsão. Até mesmo jornais americanos noticiaram o caso, classificando-o como barbaridade.
Geisy terminará o semestre na Uniban
Geisy Arruda recebeu convites de outras universidades, mas pretende terminar o semestre na Uniban. “Quero passar na frente deles com o mesmo tipo de roupa e eles terão que ficar calados.” A aluna ainda não decidiu aonde vai estudar depois, mas garante que será em uma instituição mais progressista.
A decisão de Geisy não tem o apoio da Uniban. “Não garanto que ela não vá sofrer hostilidade em sua volta”, afirmou João Pedro Cardoso Cunha, “se fosse ela, não insistiria.” O assessor não acredita que a imagem da universidade será abalada. Pelo contrário, considera que as famílias tradicionais se sentirão mais seguras ao matricular suas filhas na instituição.
Mesmo avaliando a expulsão como uma atitude extrema da Uniban, Rodrigo Pinto também acha que a aluna não deve voltar. “Não tem mais clima para ela estudar lá.”
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