sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Geisy Vs Uniban

Por Nicolas Mileli

“Ela armou isso tudo para ficar famosa” opinou João Pedro Cardoso Cunha, assessor de imprensa da Uniban. “A guria dava em cima de todo mundo, não importava se tinha namorado”, relatou Rodrigo Pinto, aluno de direito da faculdade, “por isso que ela foi hostilizada, principalmente pelas meninas”. Geisy se defende, pois, para ela, todo o preconceito veio por causa de seu sobrepeso.

“Nada me proíbe de ir de saia para a faculdade”, acrescenta Geisy. “Sempre me vesti assim. Por que eu não posso?” A estudante admite estar acostumada a ouvir elogios quando sai na rua vestida como foi à faculdade. “Eu sempre fui meio perua. Minha mãe também é assim”, confessa Geisy, que admite não ver nenhum problema em seu modo de se vestir.

As pessoas que hostilizaram a estudante culparam os seus atos, e não as roupas, pelas brincadeiras. “Ela age como um homem, dá em cima de todo mundo”, alfinetou Rodrigo. João Pedro também endossou essa opinião. “O problema foram as provocações e as atitudes indecentes.” Segundo o assessor de imprensa da universidade, para que ela deixe de ser hostilizada, é preciso que aprenda a se comportar.

João Pedro considerou esse caso algo positivo para a Uniban. “Nossa faculdade vai ficar conhecida como um lugar em que você pode botar sua filha com tranqüilidade.” Dentre as normas da universidade, o assessor de imprensa destaca a proibição de namoros no campus. “Beijo não pode. No máximo andar de mãos dadas”, ressalta João Pedro.

Geisy conta que inicialmente via cochichos dos rapazes, que depois passaram a falar obscenidades. “Mulher com roupa curta não é motivo para ser estuprada”, afirmou indignada. “A sociedade brasileira é mais preconceituosa do que se esperava. Daqui a pouco vão querer que as moças vão de véu para a aula.” Geisy prometeu, ainda, processar a faculdade, que transformou a vítima em réu.

“Foi uma brincadeira em que todo mundo entrou”, destaca Rodrigo, que acha que a faculdade ficaria menos interessante se resolvessem cobrir as meninas. A hipótese de brincadeira foi endossada pelo assessor da universidade. “Era uma brincadeira de jovens que acabou por tomar uma proporção muito maior”, opina. “A culpa é da imprensa, que não estava lá e resolveu criar um bode expiatório”, alfineta João Pedro.

A Uniban mantém a sua postura. “Só voltamos atrás porque o MEC pediu. Há um código de conduta que deve ser respeitado”, se defendeu João Pedro. A expulsão, no entanto, foi uma atitude controversa. “Toda a imprensa me apoiou”, ressalta Geisy. O aluno Rodrigo Pinto, que criticou a postura da estudante, achou que expulsá-la da faculdade seria um exagero.

A repercussão tomou a imprensa internacional e outras universidades ofereceram convites a Geisy. “Vou escolher a faculdade mais barata, se eu não puder pagar muito”, ressalta a jovem. Ela ainda admite: “Queria ir para um lugar mais progressista. A UNB seria ideal.” A saída da estudante é apoiada por Rodrigo Pinto, “não vejo clima para ela voltar”. “Ninguém vai falar com ela”, acrescenta o estudante.




Repercussão na mídia


Geisy afirma ser vítima do ocorrido. Mas essa não é a opinião nem do assessor de imprensa da UNIBAN nem de um dos alunos. A estudante afirma “Fui vítima”, enquanto a imprensa, tanto brasileira quanto estrangeira corrobora. Já Rodrigo Pinto discorda “Ela é meio maluquinha”, conta, “está sempre querendo aparecer”. João Pedro concorda: “A garota ficava puxando a saia para cima”.

“Eu nunca vi nenhum problema parecida na Uniban”, conta Rodrigo. “Mas ela já tentou me agarrar e várias pessoas ‘pegaram’ ela. Devia fazer teste psiquiátrico.” João Pedro foi ainda mais enfático na sua declaração. “Estava surtada! Veio à faculdade resolvida a dar!” E concluiu: “Geisy deveria ser separada das moças honestas”.

No discurso do assessor de imprensa da universidade, também teve uma crítica à imprensa. “A imprensa não estava lá e não quis reconstituir.” O medo de punição, por causa da presença dos jornais também estava na fala do estudante Rodrigo. “Não participei e não posso dizer que participei”, afirma num tom reticente. Já para Geisy, a repercussão da mídia foi positiva.

Apesar disso, a estudante crê que esse escândalo não vai atrapalhar a sua vida futura. “Até eu me formar todo mundo já esqueceu”, supõe Geisy. Enquanto isso, ela confessa desfrutar de seus minutos de fama, mas nega que tenho recebido propostas para posar nua e afirma que não vai fazer pornô. “Não sou este tipo de mulher!”, afirma sem, no entanto, negar que tenha sido procurada.

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