por Yasmin Narcizo
A notícia mais lida no mundo na última semana foi o ocorrido com Geisy Arruda (20), aluna da Uniban (Universidade Bandeirantes), no ABC paulista, hostilizada pelos alunos da própria universidade por usar um vestido curto. A repercussão do caso foi tão grande que na sexta-feira passada, 13 de novembro, houve uma netrevista coletiva onde ela, um assessor de imprensa da Uniban e outro aluno da instituição confrontaram suas versões do ocorrido.Geisy reforçou suas convicções sobre o acontecido dizendo que já tinha visto outras alunas frequentarem as aulas de shorts curtos e que usaria seu vestido na rua sem problema nenhum. Em resposta aos alunos que sugeriram um estupro à estudante e a chamaram de "puta", ela disse: "Eu fui a vítima. Uma mulher com roupa decotada não dá razão para ser estuprada, não podemos pensar como os talibãs. Não sou uma puta, como andam dizendo. Eu fico pensando, e se eu fosse uma puta mesmo? Elas não podem ir para a universidade?".
De acordo com a versão da aluna, o preconceito aconteceu porque um grupo de rapazes começou a provocá-la, jogando papéis e dizendo obscenidades. "Sofri preconceito porque sou loira e gordinha", disse. Geisy pretende terminar o semestre na Uniban e depois trocar de universidade, mas continuar vestindo as mesmas roupas. "Vou para a universidade que me der mais apoio moral, mas se alguma me oferecer bolsa, eu vou, porque a minha família é pobre", ela falou.
O outro lado da história
João Pedro Cardoso Cunha (60), é assessor da universidade há 10 anos e está certo de que o apoio da imprensa à aluna criou uma vítima. "A mídia apóia porque não estava lá. Geisy provocou seus colegas com atitudes indecentes, que não são compatíveis com uma aluna universitária", ele falou.
O assessor acredita que não tenha sido preconceito o ocorrido com a aluna e que moças precisam aprender a se comportar. "A imagem da universidade não foi prejudicada, e sim mostrou que é um lugar para sua filha estudar. ", disse João Pedro Cunha. Sobre a expulsão de Geisy da Uniban, ele complementa: "Antes de termos a chance de avisar a aluna, vazou a informação. Voltamos atrás por pressão do MEC. Não insistiria em voltar, se fosse ela, não podemos garantir sua segurança. Até nos dispomos a devolver dinheiro".
Para corroborar o que afirmou o assessor da Uniban, Rodrigo Pinto (23), também aluno da universidade, alega que já quase foi agarrado por Geisy. "Eu não era da sala dela, mas conhecia. Estava perto, mas não participei da manifestação contra ela. Conheço algumas pessoas que já se envolveram com ela. Sabia que daria problema algum dia, por isso não me envolvi. A atitude dela chama-se ninfomania", disse Rodrigo. O estudante acredita que a expulsão da aluna foi um exagero, mas comenta: "Não há clima para ela voltar".
Consequências da exposição:
Geisy, desde a confusão com a Uniban, está vivendo seus 15 minutos de fama. A paulista recebeu várias propostas de universidades para uma troca de seu lugar de estudo. Além disso, não bastasse estar aparecendo em jornais de toda forma de mídia, acabou participando na edição dessa terça-feira, dia 17 de novembro, do programa Casseta e Planeta, vinculado pela Rede Globo. No quadro que gravou, Geisy participou de uma paródia ao que aconteceu com ela, surgindo no quadro uma universidade chamada Uniburka - referência ao uso das burkas para cobrirem as mulheres de países do Oriente Médio, analogia feita por ela em entrevista.
Outro resultado da sua exposição foi despertar o interesse das revistas Playboy e Sexy em um ensaio fotográfico sensual da estudante. Categórica em sua resposta, ela afirma: "Não pretendo posar nua".
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