sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Frota portuguesa acha novas terras

por João Pedro Maciel

Terra à vista. A frota do capitão Pedro Álvares Cabral observou ontem, após 42 dias de navegação, os primeiros sinais de descobrimento de novas terras. Uma grande quantidade de ervas compridas e o encontro com algumas aves foram os indícios de sucesso das embarcações portuguesas, que por ordenança do Rei D. Manuel I deixaram o porto de Belém no dia 09 de março, supostamente para estabelecer entrepostos comerciais nas Índias. De acordo com o escrivão Pero Vaz de Caminha, foram avistados ainda cerca de oito homens pardos e nus na praia, quando a ancoragem se completou à meia légua de distância da terra a ser desbravada.

Apesar das dificuldades de comunicação, Nicolau Coelho, escolhido para realizar os primeiros contatos com o povo desconhecido, conseguiu estabelecer boas relações e trocou alguns presentes com os locais. Ao percorrer o litoral em busca de abrigo e novos suprimentos, as naus lusitanas atraíram para si ainda mais atenção. Por convite de Afonso Lopez, dois desses homens que assistiam à novidade, em meio a aglomeração surpresa, seguiram até o encontro do capitão que os recebeu com festa na caravela. De acordo com Caminha, os homens avermelhados possuíam boas feições, portavam arcos e flechas e eram inocentes ao ponto de conviverem pelados.

A bordo, os convidados se assustaram com uma galinha, mas souberam lidar bem com um papagaio. Eles indicaram também que na terra onde moram há ouro e prata, demonstrando muito interesse em trocá-los por outros objetos que lhes sejam mais úteis, como contas de rosário. Atendendo às ordens do capitão, Coelho, o escrivão e um jovem degredado também foram conviver entre eles para aprenderem seus costumes. Os nativos vivem com os corpos pintados e com os lábios furados, aonde geralmente colocam ossos para se enfeitarem. Mesmo não comendo carne e apenas sementes, a saúde deles é notavelmente melhor do que a dos portugueses.

Novo povo poderá ser catequizado

As notícias do achamento da terra serão enviadas ao Rei de Portugal, para que novos mantimentos sejam mandados aos navegadores, permitindo que a frota continue a exploração do lugar. Ficou acordado ainda entre os descobridores que não será necessário o uso da força física para dominação do povo desconhecido. Para isso, bastará apenas amansá-los e apaziguá-los, apesar de ainda não terem conhecimentos dos bons costumes de educação e ignorarem a deferência que deveriam prestar ao senhor capitão, por exemplo.

Na opinião do informante, será fácil lidar com os habitantes da terra, já que gostam de brincar, dançar e viver como animais em meio à natureza. Segundo a carta de Caminha, eles estavam mais à vontade e pareciam ser mais amigos do povo português do que o contrário. Durante a carpintaria, muitos deles acompanharam de perto as técnicas lusitanas com ferro, principalmente para a produção de uma cruz, feita especialmente para realização de cerimônias religiosas. A primeira missa foi rezada dentro de um pavilhão preparado no ilhéu, pelo Padre Frei Henrique. O povo desconhecido imitou o comportamento dos portugueses, assistindo a tudo de joelhos e com devoção.

Caminha afirmou acreditar na catequização dos nativos, porque são gente boa, simples e desprovida de crenças, segundo as aparências. Se houver a possibilidade de aprendizado da língua, facilmente poderão se tornar cristãos também e alcançarem a salvação. Com esse intuito, ele ainda aconselhou o Rei a enviar em breve alguns clérigos para a região, para realizar os batizar na fé.

Como vivem os habitantes locais:
- Possuem cerca de 20 casas, de boas madeiras e cobertas de palha
- Suas casas possuem esteios internos e não têm cômodos
- Eles dormem em redes, atadas com cabos em cada esteio
- Seus corpos são limpos, gordos e formosos
- Alguns andam com os peitos, as coxas, os joelhos, os pés e até os rostos pintados com tinta vermelha, preta e azul
- Os lábios de uns são enfeitados com bicos de ossos e com espelho de pau; muitos possuem mais de um furo no lábio

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