quinta-feira, 19 de novembro de 2009

“Separada das moças honestas da universidade”

Por Marlisa Amorim

A hostilidade à aluna da Uniban marcou o país nos últimos dias. Nesta semana a universidade voltou atrás na expulsão de Geisy. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (13/11) o assessor de imprensa da Uniban, João Pedro Cardoso Cunha e o aluno Rodrigo Pinto demonstraram forte preconceito contra a aluna de turismo. Geisy também estava presente na coletiva de imprensa.

Segundo João Cunha, a expulsão foi revista apenas pela pressão do Ministério da Educação. O assessor disse que a investigação interna da faculdade concluiu que o episódio foi motivado pelas atitudes provocativas de Geisy. E a reação não passou de uma “brincadeira de jovens”. O aluno Rodrigo Pinto reforçou a afirmação, dizendo que o fato era para ter sido uma simples brincadeira, mas tomou uma grande proporção.

Para o assessor, a expulsão da aluna estava correta. Geisy deveria ser “separada das moças honestas”, argumentou João Cunha. Já Geisy disse ser a vítima e não o problema. “A gente não pode pensar que nem os Talibãs que cobrem as mulheres da cabeça aos pés para protegê-las.”, rebateu a aluna de turismo.

“Na verdade essa moça estava surtada. Ela veio para faculdade resolvida a dar. Vai ver que por ela ser gordinha, essa moça estava no desespero.”, declarou o assessor. Para João Cunha, Geisy armou toda a situação, com a intenção de ficar famosa. “De loira burra, ela não tem nada”, concluiu.

O aluno Rodrigo Pinto comentou sobre o comportamento de Geisy na faculdade. Segundo ele, a aluna sempre quis aparecer e era provocativa. Por essa razão os alunos e funcionários implicavam com ela. “Parecia que ela ia para a universidade para arrumar cliente”, afirmou o aluno. Rodrigo Pinto ainda deu uma explicação para o ocorrido: “Se ela fosse gostosa de verdade, ninguém tinha nem reclamado. Ela não tem espelho em casa.”

Geisy também acha que o problema foi o fato de ser loira e gordinha e não o vestido em si. Ela admite ser perua e disse que não vai mudar o seu jeito de ser por causa de preconceitos alheios.

Para ela, a comparação com uma garota de programa é mais uma forma de preconceito e hipocrisia. “E se eu fosse uma puta mesmo? Puta não pode estudar numa universidade? Aqueles rapazes nunca freqüentaram uma puta?”, desabava.

Para o futuro, pretende terminar o semestre na Uniban e mudar para um lugar mais progressivo. Várias faculdades de São Paulo já ofereceram vagas à aluna de turismo.

O episódio

Por usar um vestido curto, Geisy Arruda, aluna de turismo da Uniban de São Bernardo do Campo, foi xingada por um grupo de estudantes. O caso se deu no dia 22 de outubro, mas ganhou repercussão na primeira semana de novembro, com a exibição de vídeos no YouTube, mostrando cenas do tumulto.

A confusão começou quando Geisy Arruda subia por uma rampa até o terceiro andar e os alunos começaram a gritar palavras ofensivas. A garota se resguardou numa sala de aula e só saiu com a escolta policial. Ela não voltou para a faculdade desde o dia do acontecimento. Nesta semana, Geisy foi expulsa e reaceita na Uniban.

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