Por Nicolas Mileli
“Policial, adjetivo” já surge como um dos maiores filmes do ano. Em cartaz em São Paulo desde o dia 20 de novembro, a obra, vencedora do Prêmio de Júri da mostra Um certo olhar este ano em Cannes, solidifica a inserção da Romênia no cenário cinematográfico mundial.
Dirigido por Corneliu Porumboiu, o mesmo de “A leste de Bucareste”, “Policial, adjetivo” conta a história de X, um policial que tem que prender jovens apenas por consumirem haxixe, enquanto tenta descobrir quem lhes fornece a droga. Apesar disso, X não acha justo estragar a vida dos jovens apenas por eles serem usuários da droga, já que a lei deve mudar em breve.
O filme é, acima de tudo, lento. Planos em que nada acontece são constantes, de modo a frisar o quão tediosa pode ser a profissão de policial. Além disso, várias cenas parecem se repetir, com pequenas alterações em suas composições, perceptíveis apenas a olhos mais atentos.
A trilha sonora é inexistente. Nos raros momentos em que o filme apresenta uma música, ela está inserida na própria cena, como, por exemplo, quando a mulher de X ouve música. De resto, a sonoplastia foca-se nos ruídos ambientes e nos, muitas vezes raros, diálogos.
Apesar da escassez, as conversas são um ponto alto da obra de Porumboiu. Com uma leve dose de humor, o filme contesta as idéias cotidianas, as noções que temos das palavras. O próprio nome do filme já retrata essa questão de indefinição vocabular.
“Polical, adjetivo” é, em resumo, um filme policial que nega o estilo clássico desse gênero. Não existem longas cenas de perseguições ou coleta de provas por parte do detetive. A obra retrata principalmente o cotidiano do policial. E o quão enfadonho ele pode ser.
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